A hipocrisia da extrema-direita no Brasil merece impeachment todo dia

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Tudo bem que não dá para embarcar na forçação de barra dos petistas de atribuir a fala de Lula o poder de revelação mundial do genocídio que se promove em Gaza.

Sim, é genocídio o movimento promovido pelo governo israelense, sim!

Matança generalizada de palestinos.

Contudo, não quero adentrar este terreno pantanoso aqui, neste texto.

Muitos já o fizeram e estão fazendo por aí com muito mais propriedade.

Fato é que os aliados do presidente brasileiro quase o condecoraram, fora de época, com o Nobel da Paz (sonho de Lulinha, vale frisar).

Menas, bem menas

A analogia de Lula faz sentido

Se, conceitualmente, faz sentido a analogia de Lula (afinal extermínio de um povo é sempre um extermínio), tecnicamente, nas regras diplomáticas e politicamente, ela foi apontada como inadequada, pelo simples fato de mexer em uma ferida histórica mundial e dar brecha aos oportunistas, como veremos a seguir.

Criticar, ou mesmo denunciar o Estado de Israel não é revitimizar o povo judeu, longe disso.

Mas, pra variar, o que está sendo feito por esta amorfa oposição no Brasil seria cômico, não fosse trágico.

Uma popular pataquada como, absolutamente todos os movimentos executados por esta turminha da nova política tupiniquim.

Pedido de Impeachment do presidente.

A alegação?

Crime de Responsabilidade por hostilidade contra nação estrangeira.

Quem pediu? Ela a deputada “de arma em punho”, literalmente, Carla Zambelli.

A mais bolsonarista de todas as parlamentares desta legislatura querendo depor presidente por ofensa, agressão contra outro país?!?!?!

A aliada daquele que, por mais de uma vez, chamou coronavírus de vírus chinês, que acusava, nada veladamente, o país oriental de ter criado o vírus em laboratório.

Ele mesmo, o Jair, único líder dos países do G20, que não reconheceu resultado de eleição norte americana.

Que dia e noite provocava e acusava diretamente o empossado presidente Joe Biden de ter vencido fraudando as eleições…

Hipocrisia até na hora de reconhecer

O mesmo governo que não se dignou sequer a agradecer ao país venezuelano pelo fornecimento de oxigênio durante a crise da pandemia no Amazonas

Ao contrário continuava atacando os vizinhos comunistas.

O bolsonarismo da anti-diplomacia mundial, do isolamento total e quebra de todo o protocolo básico nas relações internacionais.

Mais um ato tresloucado, desesperado, barulhento e sem qualquer embasamento legal de um novo grupo político que ocupa mais de um terço do Congresso Brasileiro.

Para se ter ideia, cerca de 150 deputados assinaram a lista pelo impeachment de Lula.

Claro, só o PL, partido de Bolsonaro e presidido pelo escorreito Waldemar da Costa Neto, tem quase uma centena de parlamentares na casa.

A lista de inscritos tem figuras do “quilate” de Bia Kicsis, Nickolas Ferreira, o paraibano Cabo Gilberto, Carlos Jordy e por aí vai…

Olha só, até o obscuro Kim Kataguiry ressurgiu do limbo e cravou sua assinatura lá.

Kim, aquele mesmo, que estava presente no episódio em que o famigerado Monark defendeu, publicamente a existência de grupos nazistas, neo nazistas, sob uma bandeira de liberdade de expressão.

Na ocasião, o eterno parlamentar  mirim, nada manifestou em contraposição ao absurdo do influencer.

Ao contrário, referendava o direito a livre manifestação.

A história é implacável

Ou seja, o cidadão que defendeu o nazismo causador do holocausto judeu, condenando, participando da aventura populista contra outro, que comparou o genocídio nazista a matança desenfreada do governo israelense.

A história é implacável, basta revisitá-la.

O problema é que esta turma e os que os seguem não costumam respeitar os fatos, a ciência, o conhecimento.

Desprezam evidências em busca de meias, falsas, ou auto-verdades.

Esta mania moderna de abrigar suas pobres visões de mundo no conforto de realidades artificiais, que agradam as próprias ocas teorias.

Em suma, tudo “vitaminado” por um radicalismo de falsa moral e fundamentalismo de fé que fomentam esta extrema direita transnacional, cada vez mais unida, articulada e sincronizada em estratégias pautadas em pirotecnia e fake news.

A extrema direita é mordaz, perversa, seja a do Netanyahu, ou aqui do Bolsonaro.

Marcos Thomaz

*Este espaço é opinativo. As ideias e conceitos neles contidos não representam o pensamento e linha editorial do site, mas refletem a opinião pessoal do autor

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