Restauração da estátua de Iemanjá é a força popular em ação

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Sou cético por natureza.

Não que descreia, absolutamente de tudo. Que não nutra um fascínio, curiosidade transcendental.

Mas não tenho, de fato, nenhuma crença definida, doutrina que me encaixe.

Mas, como o poeta, aqui no campo terreno, ainda “acredito na rapaziada”.

Creio com veemência na força popular e de mobilização.

Escrevi aqui há dois dias sobre o descaso à estátua de Iemanjá!

Vi desdobramentos, tímidas manifestações anteriores e repercussões além.

Não que queira gabar este espaço, site de ser causador de qualquer revolução!

Mas, como disse: a força popular faz a diferença.

E, mesmo tendo sido bem aquém do merecido destaque, conseguiu gerar incômodo. Sim, só no desconforto algumas peças se movem.

O prefeito Cícero Lucena logo acorreu para garantir a reforma total da Praça de Iemanjá, com destaque para uma ultra-restauração da dilapidada imagem.

Promessa feita pela mesma Prefeitura de João Pessoa, no mesmo emblemático período do ano passado.

Agora garantem estar em processo interno para ir a licitação, brevemente.

ATAQUE É MENSAGEM DIRETA

Sem cabeça e mãos, “mais que um ataque a religião Afro,é uma acintosa violência a uma mulher de terreiro”, como sabiamente ilustra Mãe Renilda, presidente da Federação Indenpendente de Cultos Afros.

Ela lembra que a estátua sofreu um primeiro atentado em 2016, tendo sido degolada.

Após a primeira restauração adveio este segundo ataque agora já representando a mutilação das mãos também.

Mensagem clara, direta a estas mulheres que teimam em fazer “bruxaria” moderna.

Uma inquisição adaptada.  Já são fuziladas visual e socialmente.

Restauração da estátua de Iemanjá é luta coletiva

Como toda ação, a luta continua!

Até a total, completa restauração e além.

Este é apenas mais um eco, resíduo do racismo religioso e cultural que ainda impera aqui nesta terra que, admitiu pela primeira vez ter mais preto que branco em censo demográfico.

Hoje, dois de fevereiro, dia de Iemanjá em muitas localidades (na capital paraibana a celebração oficial é 08 de dezembro), um protesto está mantido para esta tarde.

Na pauta também consta o pedido de mudança da estátua para a área dos pescadores, por motivos de segurança e identificação (é o orixá que protege esta população que vive nas e às margens das águas).

Mas, a este pleito, o prefeito Cícero Lucena já antecipou negativa.

“A estátua ficará onde está!”

Que assim seja, mas inteira, íntegra e respeitando a fé e costumes desse e de qualquer povo.

Repito, quem fala aqui é um não vinculado a qualquer fé.

Defendo, irrestritamente, o direito de manifestação de toda e qualquer crença, ou descrença…

Além disso, assim como meu conterrâneo Jorge Amado, também descrente geral, valorizo a força ancestral e potência que tem todo o simbolismo afro na vida cotidiana brasileira.

Axé!

Marcos Thomaz

*Este espaço é opinativo. As ideias e conceitos neles contidos não representam o pensamento e linha editorial do site, mas refletem a opinião pessoal do autor

 

 

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