Talvez ele seja o maior vencedor dentre os derrotados nas últimas eleições paraibanas.
Cento e seis mil votos, candidato ao Senado mais votado na capital paraibana.
Um espólio robusto para quem nunca antes havia disputado nada no reduto eleitoral.
À época, a qualquer analista era fatal a sua candidatura a eleição municipal, agora em 2024.
E Sérgio Queiroz, o líder da Igreja Cidade Viva, está definitivamente no jogo para a Prefeitura Municipal de João Pessoa.
Demorou a agir politicamente, capengou no trabalho de base, mas agora definiu rota e já acena em usar a todo vapor o cabedal adquirido nas urnas e na estrutura colossal que tem a seu dispor através da Igreja que dirige.
Aliás, é lá no “império pentecostal”, que comanda, que está depositada sua fé e força.
Não à toa o pastor já anunciou que fará uma prévia interna com os fiéis sobre seu destino político.
Uma espécie de plebiscito evangélico para ratificar o aval do seu rebanho a seu projeto de poder.
Ou alguém tem dúvidas de que o reverendo terá sua rota política acatada quase por aclamação junto aos seus seguidores?
Nem ele, nem eu, nem ninguém em sã consciência acha o contrário.
Imagina uma consulta aos membros da igreja:
-Querem o seu líder prefeito desta e da outra cidade maior?
Em uníssono a Igreja brada AMÉM!
Este valor de ascensão é base da própria doutrina da Igreja Cidade Viva, assim como de tantas outras novas e velhas denominações pentecostais e suas derivações.
A afamada Teoria da Prosperidade, um Deus fomentador de sucesso, êxito e cases de pessoas bem sucedidas.
A esta soma-se a mais novata Teoria do Domínio, que é a expansão de poder e representatividade em todos os estratos sociais.
A própria Igreja que carrega imponência citadina no nome é exemplo disso: CIDADE VIVA.
Uma quase fortaleza independente com serviços múltiplos, diversos, quase auto-suficiente em relação ao mundo dos meros mortais mundanos.
E tudo legítimo, legal, ou divino, que seja, assim.
Cada um professe a sua fé, livremente!
Mas, é inescapável atentarmos para outra estranheza dos novos tempos cristãos, como as relações e identidades que se criam, além muros dos templos.
É um alinhamento com valores antagônicos, pessoas controversas aos dogmas cristãos, ou simplesmente humanos…
Por exemplo, a “ressurreição” do Sérgio Queiroz prefeitável nasceu de um convite do senhor Deltan Dallagnol para o paraibano ingressar no Partido Novo.
Isso mesmo, Dallagnol, aquele procurador do “não tenho provas, mas tenho convicção”, do powerpoint comédia e do processo viciado e desmontado contra Lula.
O mesmo, atualmente, com mandato de deputado cassado.
Contradições típicas destes impolutos, o povo de bem.
Não são Pôncio Pilatos para lavar as mãos, mas passam pano para qualquer heresia dos seus apóstolos.
Existe pecadinho e pecadão?
Ah, Deltan também é evangélico, mais que isso, “seguidor de Jesus” como o próprio se define nas redes sociais.
O homem traduz quantos que perderam total pudor, ou melhor desprezam o temor a admoestação clássica cristã protestante: “não escandalizarás”.
Texto: Marcos Thomaz
Foto: Reprodução/Instagram
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