Resistir ou aderir? Brasil vive epidemia de estrangeirismos

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Dia desses fui a um roof top.

Claro que nem sabia do que se tratava até o convite e a indagação:

-Aproveitando a deixa. Que p… é esse rufado (sic) aí? Ouço falar, mas nunca vi, nem comi…

Logo apresentado ao conceito, não me contenho…

-Então é mais fácil falarmos Roof Top do que telhado, cobertura, lá em cima, in riba, qualquer coisa assim?

Vejam bem, nem tenho purismo exacerbado com questões lingüísticas, ou qualquer elemento outro da cultura. Ela é dinâmica, universal etc e coisa e tal.

Mas, vamos avacalhar dentro dos limites, né?

Tudo, absolutamente tudo é in ingrixe!?!?!

E olha que eu até uso uns termos gringos aqui e alhures pra dar uma modernizada no repertório, mas o negócio bagunçou de vez.

Nem vou citar o absurdo de “case” no lugar de caso.

Se você quer contar uma história de êxito profissional, referência que você aplica a seu trabalho e usar CASO em lugar de CASE, terá comprometido em 50%, pelo menos o impacto de causar impressão.

Não me perguntem de onde tirei este dado de 50% (fifty-fifty baby), só tente este exemplo em seu espaço de trabalho, o seu job e me conte o resultado!

Trabalho aliás, ambiente, natureza, relações de trabalho configuram o principal canal de entrada de enxurrada do estrangeirismo aqui no Brasil.

Enxurrada porque este fenômeno se intensificou absurdamente nos últimos anos.

A sensação e apenas sensation mesmo é algo relacionado, influenciado pela pandemia, pós pandemia, em que serviços como delivery se exponenciaram, estratégias como lockdown ganharam a boca do povo, o check in virou obrigatório até para vacinar…

Mas, nada, nada se compara ao MARKETING!

Este conceito moderno de publicidade que se tornou indispensável a qualquer atividade é o vilão máximo da língua tupiniquim.

Nem titubeio em cravar isso.

Cheio de keywords próprias, o marketing surfou na digitalização de serviços e usuários para se difundir no dia a dia nacional!

Afinal o que escapa ao marquetingue em tempos modernos??

Aí todo mundo quer construir seu network, ter um portfólio.

Sempre dentro do dead line, claro.

Mas, se modismo gringo já causa um overbooking mental, nacional então…

Rolê é o termo descolado usado por 11 em cada 10 jovens e uns coroas também.

Lembro, que na minha remota infância, lá na esquecida Buerarema já falávamos sobre dar um rolé (assim mesmo com E aberto e acento).

Isso há 30, quase 40 anos atrás.

Recentemente, compartilhando esta história de interior baiano, fui censurado por “subverter” o termo da hora.

Ora, ora e os rolezinhos nos shoppings há coisa de uns dez anos?

Era com som de E aberto também.

O que me lasca é minha memória!

Veja você.

Mas, também lembro que há mais de meio século entoava os Novos Baianos: “Dê um rolê”.

“Não se assuste pessoas”, nada foi inventado ontem, ou hoje, respeite as referências…

“Antes de você ser eu sou”

Texto: Marcos Thomaz
Foto: Imagem criada pelo Dall-E

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