Número de trabalhadores por aplicativos dispara no Brasil e passa de 2 milhões

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O Brasil tem cada vez mais pessoas que realizam trabalho por meio de plataformas digitais, como os aplicativos de serviços ou o comércio eletrônico. Essa modalidade de trabalho já representa 2,4% da população ocupada no setor privado, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, no quarto trimestre de 2023, havia 87,2 milhões de pessoas ocupadas de 14 anos ou mais de idade no setor privado, excluindo os empregados no setor público e militares. Desse total, 2,1 milhões realizavam trabalho por meio de plataformas digitais, tendo a atividade como ocupação principal. Desses, 1,5 milhão usavam aplicativos de serviços e 628 mil usavam plataformas de comércio eletrônico.

Os aplicativos de serviços são aqueles que permitem a oferta e a demanda de serviços diversos, como transporte de passageiros, entrega de comida ou produtos, prestação de serviços gerais ou profissionais, entre outros. Já as plataformas de comércio eletrônico são aquelas que possibilitam a venda e a compra de produtos pela internet.

A pesquisa revelou que os trabalhadores por meio de plataformas digitais têm características distintas dos demais trabalhadores do setor privado. Em geral, eles são mais jovens, mais escolarizados, mais concentrados na região Sudeste e predominantemente do sexo masculino.

A maioria dos trabalhadores por meio de plataformas digitais (67,3%) atuava no grupamento das atividades transporte, armazenagem e correio, que abrange tanto o serviço de transporte de passageiros quanto os serviços de entrega. Em seguida, aparecia o setor de alojamento e alimentação, com 16,7%, principalmente por causa dos estabelecimentos de alimentação que usam as plataformas de entregas para clientes.

A categoria de emprego mais usada pelos trabalhadores por meio de plataformas digitais era a “feita por conta própria” (77,1%), ou seja, aqueles que trabalham sem vínculo empregatício formal. Apenas 5,9% dos trabalhadores por meio de plataformas digitais eram empregados com carteira assinada, enquanto no setor privado esse percentual era de 42,2%.

O aplicativo de transporte particular de passageiros foi a plataforma digital mais utilizada pelos trabalhadores por meio de plataformas digitais (47,2%), seguido do serviço de entrega de comida, produtos etc (39,5%), do aplicativo de táxi (13,9%) e do aplicativo de prestação de serviços gerais ou profissionais (13,2%).

A região com maior percentual de trabalhadores por meio de plataformas digitais foi o Sudeste (2,2%), com 57,9% do total desses trabalhadores. Nas outras regiões, o percentual ficou entre 1,3% e 1,4%. A maior proporção de pessoas que trabalhavam com aplicativos de transporte particular de passageiros estava na região Norte: 61,2%.

Os homens eram a maioria dos trabalhadores por meio de plataformas digitais (81,3%), uma proporção muito maior que a média geral dos trabalhadores ocupados (59,1%). As mulheres eram apenas 18,7% do total desses trabalhadores.

O trabalho por meio de plataformas digitais é uma tendência que vem crescendo no Brasil e no mundo. Ele traz vantagens como a flexibilidade e a autonomia dos trabalhadores, mas também desafios como a precarização e a informalidade. É preciso acompanhar essa evolução e garantir os direitos e a proteção desses profissionais.

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